Lamentações de Jeremias 3; Lamentações de Jeremias 4; Lamentações de Jeremias 5; Hebreus 10:19-39

1 Eu sou o homem que viu a aflição causada pela vara do seu furor. 2 Ele me guiou e me fez andar em trevas e não na luz. 3 Deveras fez virar e revirar a sua mão contra mim o dia todo. 4 Fez envelhecer a minha carne e a minha pele; quebrou-me os ossos. 5 Levantou trincheiras contra mim, e me cercou de fel e trabalho. 6 Fez-me habitar em lugares tenebrosos, como os que estavam mortos há muito. 7 Cercou-me de uma sebe de modo que não posso sair; agravou os meus grilhões. 8 Ainda quando grito e clamo por socorro, ele exclui a minha oração. 9 Fechou os meus caminhos com pedras lavradas, fez tortuosas as minhas veredas. 10 Fez-se-me como urso de emboscada, um leão em esconderijos. 11 Desviou os meus caminhos, e fez-me em pedaços; deixou-me desolado. 12 Armou o seu arco, e me pôs como alvo � flecha. 13 Fez entrar nos meus rins as flechas da sua aljava. 14 Fui feito um objeto de escárnio para todo o meu povo, e a sua canção o dia todo. 15 Encheu-me de amarguras, fartou-me de absinto. 16 Quebrou com pedrinhas de areia os meus dentes, cobriu-me de cinza. 17 Alongaste da paz a minha alma; esqueci-me do que seja a felicidade. 18 Digo, pois: Já pereceu a minha força, como também a minha esperança no Senhor. 19 Lembra-te da minha aflição e amargura, do absinto e do fel. 20 Minha alma ainda os conserva na memória, e se abate dentro de mim. 21 Torno a trazer isso � mente, portanto tenho esperança. 22 A benignidade do Senhor jamais acaba, as suas misericórdias não têm fim; 23 renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade. 24 A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto esperarei nele. 25 Bom é o Senhor para os que esperam por ele, para a alma que o busca. 26 Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do Senhor. 27 Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade. 28 Que se assente ele, sozinho, e fique calado, porquanto Deus o pôs sobre ele. 29 Ponha a sua boca no pó; talvez ainda haja esperança. 30 Dê a sua face ao que o fere; farte-se de afronta. 31 Pois o Senhor não rejeitará para sempre. 32 Embora entristeça a alguém, contudo terá compaixão segundo a grandeza da sua misericordia. 33 Porque não aflige nem entristece de bom grado os filhos dos homens. 34 Pisar debaixo dos pés a todos os presos da terra, 35 perverter o direito do homem perante a face do Altíssimo, 36 subverter o homem no seu pleito, não são do agrado do senhor. 37 Quem é aquele que manda, e assim acontece, sem que o Senhor o tenha ordenado? 38 Não sai da boca do Altíssimo tanto o mal como o bem? 39 Por que se queixaria o homem vivente, o varão por causa do castigo dos seus pecados? 40 Esquadrinhemos os nossos caminhos, provemo-los, e voltemos para o Senhor. 41 Levantemos os nossos corações com as mãos para Deus no céu dizendo; 42 Nós transgredimos, e fomos rebeldes, e não perdoaste, 43 Cobriste-te de ira, e nos perseguiste; mataste, não te apiedaste. 44 Cobriste-te de nuvens, para que não passe a nossa oração. 45 Como escória e refugo nos puseste no meio dos povos. 46 Todos os nossos inimigos abriram contra nós a sua boca. 47 Temor e cova vieram sobre nós, assolação e destruição. 48 Torrentes de águas correm dos meus olhos, por causa da destruição da filha do meu povo. 49 Os meus olhos derramam lágrimas, e não cessam, sem haver intermissão, 50 até que o Senhor atente e veja desde o céu. 51 Os meus olhos me afligem, por causa de todas as filhas da minha cidade. 52 Como ave me caçaram os que, sem causa, são meus inimigos. 53 Atiraram-me vivo na masmorra, e lançaram pedras sobre mim. 54 Águas correram sobre a minha cabeça; eu disse: Estou cortado. 55 Invoquei o teu nome, Senhor, desde a profundeza da masmorra. 56 Ouviste a minha voz; não escondas o teu ouvido ao meu suspiro, ao meu clamor. 57 Tu te aproximaste no dia em que te invoquei; disseste: Não temas. 58 Pleiteaste, Senhor, a minha causa; remiste a minha vida. 59 Viste, Senhor, a injustiça que sofri; julga tu a minha causa. 60 Viste toda a sua vingança, todos os seus desígnios contra mim. 61 Ouviste as suas afrontas, Senhor, todos os seus desígnios contra mim, 62 os lábios e os pensamentos dos que se levantam contra mim o dia todo. 63 Observa-os ao assentarem-se e ao levantarem-se; eu sou a sua canção. 64 Tu lhes darás a recompensa, Senhor, conforme a obra das suas mãos. 65 Tu lhes darás dureza de coração, maldição tua sobre eles. 66 Na tua ira os perseguirás, e os destruirás de debaixo dos teus céus, ó Senhor.
1 Como se escureceu o ouro! como se mudou o ouro puríssimo! como estão espalhadas as pedras do santuário pelas esquinas de todas as ruas! 2 Os preciosos filhos de Sião, comparáveis a ouro puro, como são agora reputados por vasos de barro, obra das mãos de oleiro! 3 Até os chacais abaixam o peito, dão de mamar aos seus filhos; mas a filha do meu povo tornou-se cruel como os avestruzes no deserto. 4 A língua do que mama fica pegada pela sede ao seu paladar; os meninos pedem pão, e ninguém lho reparte. 5 Os que comiam iguarias delicadas desfalecem nas ruas; os que se criavam em escarlata abraçam monturos. 6 Pois maior é a iniqüidade da filha do meu povo do que o pecado de Sodoma, a qual foi subvertida como num momento, sem que mão alguma lhe tocasse. 7 Os seus nobres eram mais alvos do que a neve, mais brancos do que o leite, eram mais ruivos de corpo do que o coral, e a sua formosura era como a de safira. 8 Mas agora escureceu-se o seu parecer mais do que o negrume; eles não são reconhecidos nas ruas; a sua pele se lhes pegou aos ossos; secou-se, tornou-se como um pau. . 9 Os mortos � espada eram mais ditosos do que os mortos � fome, pois estes se esgotavam, como traspassados, por falta dos frutos dos campos. 10 As mãos das mulheres compassivas cozeram os próprios filhos; estes lhes serviram de alimento na destruição da filha do meu povo. 11 Deu o Senhor cumprimento ao seu furor, derramou o ardor da sua ira; e acendeu um fogo em Sião, que consumiu os seus fundamentos. 12 Não creram os reis da terra, bem como nenhum dos moradores do mundo, que adversário ou inimigo pudesse entrar pelas portas de Jerusalém. 13 Isso foi por causa dos pecados dos seus profetas e das iniqüidades dos seus sacerdotes, que derramaram no meio dela o sangue dos justos. 14 Vagueiam como cegos pelas ruas; andam contaminados de sangue, de tal sorte que não se lhes pode tocar nas roupas. 15 Desviai-vos! imundo! gritavam-lhes; desviai-vos, desviai-vos, não toqueis! Quando fugiram, e andaram, vagueando, dizia-se entre as nações: Nunca mais morarão aqui. 16 A ira do Senhor os espalhou; ele nunca mais tornará a olhar para eles; não respeitaram a pessoa dos sacerdotes, nem se compadeceram dos velhos. 17 Os nossos olhos desfaleciam, esperando o nosso vão socorro. em vigiando olhávamos para uma nação, que não podia, livrai. 18 Espiaram os nossos passos, de maneira que não podíamos andar pelas nossas ruas; o nosso fim estava perto; estavam contados os nossos dias, porque era chegado o nosso fim. 19 Os nossos perseguidores foram mais ligeiros do que as águias do céu; sobre os montes nos perseguiram, no deserto nos armaram ciladas. 20 O fôlego da nossa vida, o ungido do Senhor, foi preso nas covas deles, o mesmo de quem dizíamos: Debaixo da sua sombra viveremos entre as nações. 21 Regozija-te, e alegra-te, ó filha de Edom, que habitas na terra de Uz; o cálice te passará a ti também; embebedar-te-ás, e te descobrirás. 22 Já se cumpriu o castigo da tua iniqüidade, ó filha de Sião; ele nunca mais te levará para o cativeiro; ele visitará a tua iniqüidade, ó filha de Edom; descobrirá os teus pecados.
1 Lembra-te, Senhor, do que nos tem sucedido; considera, e olha para o nosso opróbrio. 2 A nossa herdade passou a estranhos, e as nossas casas a forasteiros. 3 çrfãos somos sem pai, nossas mães são como viuvas. 4 A nossa água por dinheiro a bebemos, por preço vem a nossa lenha. 5 Os nossos perseguidores estão sobre os nossos pescoços; estamos cansados, e não temos descanso. 6 Aos egípcios e aos assírios estendemos as mãos, para nos fartarmos de pão. 7 Nossos pais pecaram, e já não existem; e nós levamos as suas iniqüidades. 8 Escravos dominam sobre nós; ninguém há que nos arranque da sua mão. 9 Com perigo de nossas vidas obtemos o nosso pão, por causa da espada do deserto. 10 Nossa pele está abraseada como um forno, por causa do ardor da fome. 11 Forçaram as mulheres em Sião, as virgens nas cidades de Judá. 12 Príncipes foram enforcados pelas mãos deles; as faces dos anciãos não foram respeitadas. 13 Mancebos levaram a mó; meninos tropeçaram sob fardos de lenha. 14 Os velhos já não se assentam nas portas, os mancebos já não cantam. 15 Cessou o gozo de nosso coração; converteu-se em lamentação a nossa dança. 16 Caiu a coroa da nossa cabeça; ai de nós. porque pecamos. 17 Portanto desmaiou o nosso coração; por isso se escureceram os nossos olhos. 18 Pelo monte de Sião, que está assolado, andam os chacais. 19 Tu, Senhor, permaneces eternamente; e o teu trono subsiste de geração em geração. 20 Por que te esquecerias de nós para sempre, por que nos desampararias por tanto tempo? 21 Converte-nos a ti, Senhor, e seremos convertidos; renova os nossos dias como dantes; 22 se é que não nos tens de todo rejeitado, se é que não estás sobremaneira irado contra nos.
19 Tendo pois, irmãos, ousadia para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus, 20 pelo caminho que ele nos inaugurou, caminho novo e vivo, através do véu, isto é, da sua carne, 21 e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, 22 cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência, e o corpo lavado com água limpa, 23 retenhamos inabalável a confissão da nossa esperança, porque fiel é aquele que fez a promessa; 24 e consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e �s boas obras, 25 não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia. 26 Porque se voluntariamente continuarmos no pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, 27 mas uma expectação terrível de juízo, e um ardor de fogo que há de devorar os adversários. 28 Havendo alguém rejeitado a lei de Moisés, morre sem misericórdia, pela palavra de duas ou três testemunhas; 29 de quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue do pacto, com que foi santificado, e ultrajar ao Espírito da graça? 30 Pois conhecemos aquele que disse: Minha é a vingança, eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. 31 Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo. 32 Lembrai-vos, porém, dos dias passados, em que, depois de serdes iluminados, suportastes grande combate de aflições; 33 pois por um lado fostes feitos espetáculo tanto por vitupérios como por tribulações, e por outro vos tornastes companheiros dos que assim foram tratados. 34 Pois não só vos compadecestes dos que estavam nas prisões, mas também com gozo aceitastes a espoliação dos vossos bens, sabendo que vós tendes uma possessão melhor e permanente. 35 Não lanceis fora, pois, a vossa confiança, que tem uma grande recompensa. 36 Porque necessitais de perseverança, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa. 37 Pois ainda em bem pouco tempo aquele que há de vir virá, e não tardará. 38 Mas o meu justo viverá da fé; e se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele. 39 Nós, porém, não somos daqueles que recuam para a perdição, mas daqueles que crêem para a conservação da alma.