Marcos 10; Marcos 11

1 Levantando-se Jesus, partiu dali para os termos da Judéia, e para além do Jordão; e do novo as multidões se reuniram em torno dele; e tornou a ensiná-las, como tinha por costume. 2 Então se aproximaram dele alguns fariseus e, para o experimentarem, lhe perguntaram: É lícito ao homem repudiar sua mulher? 3 Ele, porém, respondeu-lhes: Que vos ordenou Moisés? 4 Replicaram eles: Moisés permitiu escrever carta de divórcio, e repudiar a mulher. 5 Disse-lhes Jesus: Pela dureza dos vossos corações ele vos deixou escrito esse mandamento. 6 Mas desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher. 7 Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, [e unir-se-á � sua mulher,] 8 e serão os dois uma só carne; assim já não são mais dois, mas uma só carne. 9 Porquanto o que Deus ajuntou, não o separe o homem. 10 Em casa os discípulos interrogaram-no de novo sobre isso. 11 Ao que lhes respondeu: Qualquer que repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério contra ela; 12 e se ela repudiar seu marido e casar com outro, comete adultério. 13 Então lhe traziam algumas crianças para que as tocasse; mas os discípulos o repreenderam. 14 Jesus, porém, vendo isto, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir a mim as crianças, e não as impeçais, porque de tais é o reino de Deus. 15 Em verdade vos digo que qualquer que não receber o reino de Deus como criança, de maneira nenhuma entrará nele. 16 E, tomando-as nos seus braços, as abençoou, pondo as mãos sobre elas. 17 Ora, ao sair para se pôr a caminho, correu para ele um homem, o qual se ajoelhou diante dele e lhe perguntou: Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna? 18 Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? ninguém é bom, senão um que é Deus. 19 Sabes os mandamentos: Não matarás; não adulterarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; a ninguém defraudarás; honra a teu pai e a tua mãe. 20 Ele, porém, lhe replicou: Mestre, tudo isso tenho guardado desde a minha juventude. 21 E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Uma coisa te falta; vai vende tudo quanto tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me. 22 Mas ele, pesaroso desta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitos bens. 23 Então Jesus, olhando em redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! 24 E os discípulos se maravilharam destas suas palavras; mas Jesus, tornando a falar, disse-lhes: Filhos, quão difícil é [para os que confiam nas riquezas] entrar no reino de Deus! 25 É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus. 26 Com isso eles ficaram sobremaneira maravilhados, dizendo entre si: Quem pode, então, ser salvo? 27 Jesus, fixando os olhos neles, respondeu: Para os homens é impossível, mas não para Deus; porque para Deus tudo é possível. 28 Pedro começou a dizer-lhe: Eis que nós deixamos tudo e te seguimos. 29 Respondeu Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho, 30 que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no mundo vindouro a vida eterna. 31 Mas muitos que são primeiros serão últimos; e muitos que são últimos serão primeiros. 32 Ora, estavam a caminho, subindo para Jerusalém; e Jesus ia adiante deles, e eles se maravilhavam e o seguiam atemorizados. De novo tomou consigo os doze e começou a contar-lhes as coisas que lhe haviam de sobrevir, 33 dizendo: Eis que subimos a Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas; e eles o condenarão � morte, e o entregarão aos gentios; 34 e hão de escarnecê-lo e cuspir nele, e açoitá-lo, e matá-lo; e depois de três dias ressurgirá. 35 Nisso aproximaram-se dele Tiago e João, filhos de Zebedeu, dizendo-lhe: Mestre, queremos que nos faças o que te pedirmos. 36 Ele, pois, lhes perguntou: Que quereis que eu vos faça? 37 Responderam-lhe: Concede-nos que na tua glória nos sentemos, um � tua direita, e outro � tua esquerda. 38 Mas Jesus lhes disse: Não sabeis o que pedis; podeis beber o cálice que eu bebo, e ser batizados no batismo em que eu sou batizado? 39 E lhe responderam: Podemos. Mas Jesus lhes disse: O cálice que eu bebo, haveis de bebê-lo, e no batismo em que eu sou batizado, haveis de ser batizados; 40 mas o sentar-se � minha direita, ou � minha esquerda, não me pertence concedê-lo; mas isso é para aqueles a quem está reservado. 41 E ouvindo isso os dez, começaram a indignar-se contra Tiago e João. 42 Então Jesus chamou-os para junto de si e lhes disse: Sabeis que os que são reconhecidos como governadores dos gentios, deles se assenhoreiam, e que sobre eles os seus grandes exercem autoridade. 43 Mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva; 44 e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos. 45 Pois também o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos. 46 Depois chegaram a Jericó. E, ao sair ele de Jericó com seus discípulos e uma grande multidão, estava sentado junto do caminho um mendigo cego, Bartimeu filho de Timeu. 47 Este, quando ouviu que era Jesus, o nazareno, começou a clamar, dizendo: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim! 48 E muitos o repreendiam, para que se calasse; mas ele clamava ainda mais: Filho de Davi, tem compaixão de mim. 49 Parou, pois, Jesus e disse: Chamai-o. E chamaram o cego, dizendo-lhe: Tem bom ânimo; levanta-te, ele te chama. 50 Nisto, lançando de si a sua capa, de um salto se levantou e foi ter com Jesus. 51 Perguntou-lhe o cego: Que queres que te faça? Respondeu-lhe o cego: Mestre, que eu veja. 52 Disse-lhe Jesus: Vai, a tua fé te salvou. E imediatamente recuperou a vista, e foi seguindo pelo caminho.
1 Ora, quando se aproximavam de Jerusalém, de Betfagé e de Betânia, junto do Monte das Oliveiras, enviou Jesus dois dos seus discípulos 2 e disse-lhes: Ide � aldeia que está defronte de vós; e logo que nela entrardes, encontrareis preso um jumentinho, em que ainda ninguém montou; desprendei-o e trazei-o. 3 E se alguém vos perguntar: Por que fazeis isso? respondei: O Senhor precisa dele, e logo tornará a enviá-lo para aqui. 4 Foram, pois, e acharam o jumentinho preso ao portão do lado de fora na rua, e o desprenderam. 5 E alguns dos que ali estavam lhes perguntaram: Que fazeis, desprendendo o jumentinho? 6 Responderam como Jesus lhes tinha mandado; e lho deixaram levar. 7 Então trouxeram a Jesus o jumentinho e lançaram sobre ele os seus mantos; e Jesus montou nele. 8 Muitos também estenderam pelo caminho os seus mantos, e outros, ramagens que tinham cortado nos campos. 9 E tanto os que o precediam como os que o seguiam, clamavam: Hosana! bendito o que vem em nome do Senhor! 10 Bendito o reino que vem, o reino de nosso pai Davi! Hosana nas alturas! 11 Tendo Jesus entrado em Jerusalém, foi ao templo; e tendo observado tudo em redor, como já fosse tarde, saiu para Betânia com os doze. 12 No dia seguinte, depois de saírem de Betânia teve fome, 13 e avistando de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se, porventura, acharia nela alguma coisa; e chegando a ela, nada achou senão folhas, porque não era tempo de figos. 14 E Jesus, falando, disse � figueira: Nunca mais coma alguém fruto de ti. E seus discípulos ouviram isso. 15 Chegaram, pois, a Jerusalém. E entrando ele no templo, começou a expulsar os que ali vendiam e compravam; e derribou as mesas dos cambistas, e as cadeiras dos que vendiam pombas; 16 e não consentia que ninguém atravessasse o templo levando qualquer utensílio; 17 e ensinava, dizendo-lhes: Não está escrito: A minha casa será chamada casa de oração para todas as nações? Vós, porém, a tendes feito covil de salteadores. 18 Ora, os principais sacerdotes e os escribas ouviram isto, e procuravam um modo de o matar; pois o temiam, porque toda a multidão se maravilhava da sua doutrina. 19 Ao cair da tarde, saíam da cidade. 20 Quando passavam na manhã seguinte, viram que a figueira tinha secado desde as raízes. 21 Então Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Olha, Mestre, secou-se a figueira que amaldiçoaste. 22 Respondeu-lhes Jesus: Tende fé em Deus. 23 Em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar; e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, assim lhe será feito. 24 Por isso vos digo que tudo o que pedirdes em oração, crede que o recebereis, e tê-lo-eis. 25 Quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que também vosso Pai que está no céu, vos perdoe as vossas ofensas. 26 [Mas, se vós não perdoardes, também vosso Pai, que está no céu, não vos perdoará as vossas ofensas.] 27 Vieram de novo a Jerusalém. E andando Jesus pelo templo, aproximaram-se dele os principais sacerdotes, os escribas e os anciãos, 28 que lhe perguntaram: Com que autoridade fazes tu estas coisas? ou quem te deu autoridade para fazê-las? 29 Respondeu-lhes Jesus: Eu vos perguntarei uma coisa; respondei-me, pois, e eu vos direi com que autoridade faço estas coisas. 30 O batismo de João era do céu, ou dos homens? respondei-me. 31 Ao que eles arrazoavam entre si: Se dissermos: Do céu, ele dirá: Então por que não o crestes? 32 Mas diremos, porventura: Dos homens? - É que temiam o povo; porque todos verdadeiramente tinham a João como profeta. 33 Responderam, pois, a Jesus: Não sabemos. Replicou-lhes ele: Nem eu vos digo com que autoridade faço estas coisas.
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